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· Nascimento: Em 30 de novembro de 1978, em Guadalajara
· Principais filmes: Amores Brutos,
E Sua Mãe Também e O Crime do Padre Amaro
· Principal hobby: Futebol
· Línguas: inglês, espanhol, italiano, francês e um pouco de português
O nome de Gael Garcia Bernal ainda é desconhecido para a maioria dos
brasileiros, mas o seu rosto e o seu trabalho já começam a traçar uma
identidade no Brasil. O ator mexicano, de 25 anos, astro do novo filme
de Walter Salles, aportou na memória tupiniquim em 2003, no polêmico
filme O Crime do Padre Amaro, do diretor Carlos Carrera. Baseado no
romance de Eça de Queirós, a produção é o maior sucesso de bilheteria
da história do cinema do México (6 milhões de espectadores).
POLÊMICA No papel de Padre Amaro, Gael vive cenas de sexo com uma fiel
Walter Salles, diretor de Central do Brasil e cineasta brasileiro mais
festejado no Exterior, já conhece muito bem a beleza e o talento de
Gael. Os dois lançam no Brasil Diários da Motocicleta, em que o ator
vive Ernesto Che Guevara jovem, na viagem que o guerrilheiro fez pela
América Latina em 1952, antes de se tornar líder revolucionário. ''São
raros atores tão jovens que têm o carisma, o talento e a capacidade de
aprender de Gael'', elogia Salles. ''Ele é um diretor tranqüilo e
generoso'', devolve o mexicano, que é fã do cinema brasileiro.
Gael passa longe do estereótipo de rostinho-bonito-sem-muito-talento.
Ao contrário, suas interpretações são sempre vigorosas. Filho de atores
de teatro da cidade de Guadalajara, aos 12 anos já atuava em peças.
Trabalhou em algumas telenovelas mexicanas e, em 1996, fez o curta-
metragem De Tripas, Corazón (de Antônio Urrutia), que concorreu ao
Oscar. Disposto a se dedicar ao cinema, foi estudar interpretação em
Londres. Na volta para o México, em 2000, protagonizou Amores Brutos,
de Alejandro González Inarritu, também indicado ao Oscar. Gael encarna
o jovem que usava um cão para ganhar dinheiro em rinhas.
Em 2002, outro filme mexicano com Gael, E Sua Mãe Também, de Alfonso
Cuarón, concorreu ao Oscar. Em O Crime do Padre Amaro, de 2003,
interpreta um padre que se apaixona por uma moça de sua paróquia. A
trama causou polêmica e por pouco não provocou censura à fita no
México. Em uma das cenas chocantes, Gael beija um padre na boca.
Com tanto sucesso, o ator despertou a atenção dos estúdios
americanos. ''Tenho muitas propostas, mas serão bem pensadas. '' O ator
diz que não ''se vende'' a qualquer roteiro. ''Até hoje, só aceitei
roteiros de filmes que, em minha concepção, precisavam ser feitos.
Histórias necessárias, que tinham de ser vistas. '' Para pagar as
contas, prefere fazer propaganda a filmes ruins. ''Os anúncios são
claramente comerciais. Cinema é arte'', compara.

COMBATENTE Como Che Guevara na série de TV mexicana Fidel, em 2001
Com discurso politizado, Gael preocupa-se com o fortalecimento do
cinema latino-americano. ''O sistema financeiro internacional não deixa
a América Latina crescer. A cultura é nossa chance de nos unir e
afirmar'', diz. E viver Che Guevara reforçou as convicções. ''Encarnar
o mito foi uma revolução dentro de mim'', diz o ator, que já
interpretara o guerrilheiro numa produção para a TV mexicana sobre o
ditador cubano Fidel Castro. Para Diários da Motocicleta, passou por
Machu Picchu, no Peru, pelo Deserto do Atacama e pelos Andes
chilenos. ''A viagem permitiu o descobrimento físico e humano do
continente e isso afetou a todos, em especial a Gael'', diz Salles. O
ator aprendeu espanhol com sotaque argentino e, franzino em seu 1,70
metro, exercitou-se para ter o físico de Guevara.
O novo símbolo sexual latino do cinema não se considera bonito. ''Só me
importa o assédio de quem eu quero. '' Na internet, são muitos os sites
com detalhes da vida do artista. Há quem garanta que Gael chegou para
ocupar o lugar de Antonio Banderas no cinema latino, e, por que não, em
Hollywood.
E, quando o assunto é vida pessoal, o galã é superdiscreto. Desde o ano
passado, ele vive um romance - cheio de idas e vindas - com a atriz
Natalie Portman. Mas não faz comentários sobre o assunto. Prefere falar
da carreira e de suas crenças, políticas e sociais. "Não faço filmes
porque quero me tornar um sex simbol. Escolho os papéis que gosto e
histórias que eu acredito que devam ser contadas", filosofa Gael.
Alguém se habilita a contrariá-lo?
Martha Mendonça, com Carolina Nascimento
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