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Dicionário dos filmes pornô
Você pensa que sabe tudo sobre eles, mas sempre há o que aprender
Às vezes amados, às vezes odiados, sempre polêmicos. Sonho de consumo de meninos na puberdade, um grande enigma para muitas mulheres (que não entendem a graça que os homens vêem em filmes "sem roteiro"), proibidos na grande rede de locadoras Blockbuster, prato cheio para revistas de fofocas (vide o rebuliço causado pela produção que traz ex-galã de novelas Alexandre Frota), o fato é que os filmes pornográficos não passam despercebidos.
E são tantos fetiches, manias e modalidades que parece impossível conhecer todos os termos. Mas a pesquisa de Bruno Privatti, fanzineiro das antigas, já é um bom começo. Para quem é consumidor ou simplesmente para rir um pouco. Dá só uma conferida.
Amateurs: Filmes de classe Z realizados por atores ditos “não profissionais”.
Anal: Entrada de serviço. Homens adoram, mulheres normalmente odeiam.
Asian: Uma vertente do inter-racial só com mulheres da Ásia.
Backdoor: Sexo anal (literalmente "porta traseira").
Bandage: Literalmente: "atadura". Nesses filmes utilizam-se certas práticas sadô-masô, particularmente imobilizar mediante cordas ou correntes para depois se dedicar a diversas atividades lúdicas. São comuns as roupas de couro ou látex que costumam cobrir praticamente a totalidade do corpo, e a mistura de cenas pornô normais com bizarre e sadô
light.
Bi and beyond: Subgênero que engloba os filmes que incluem transexuais, gays, travestis e bissexuais. Tradicionalmente, esses filmes só eram encontrados em sex shops. Os tempos mudam.
Bizarre: Gênero que engloba sadô-masô, fist fucking, anal e coprofilia (incluindo a imprescindível chuva dourada). Às vezes também se incluem nessa categoria os filmes com atrizes grávidas (como os realizados pelo grande especialista europeu Finn Hansen).
Black kiss: Beijo no ânus. O beijo negro se torna uma solução de emergência ante a falta de cremes ou lubrificantes.
Blow-job: Modalidade também denominada de facial scenes, cujos números resultam ser os mais ousados e esperados, consiste em uma ejaculação masculina na cara da parceira e, em sua versão mais dura, dentro de sua boca (swalowing).
Boobs: Abundam as produções especializadas em senhoritas com seios descomunais. Tão fantástica anatomia é descrita como boobs pelos ingleses e como Busen pelos alemães (sempre precedida por alguns "Super", "Fantastich", "Umglaublich" "Wundabar" ou similar).
Bukkake: Prática japonesa que consiste em melecar a atriz com uma grande quantidade de esperma.
Buttman: Ver Stagliano, John.
Caviar: Excrementos. Úteis para os coprófilos.
Chuva dourada: Ducha em que se substitui a água por urina e o encanamento pela uretra. Só há água quente. Essas cenas se valorizam mais quanto mais perto da boca se está regando, inclusive o interior da mesma. Os especialistas? Os alemães.
Cicciolina (Ilona Staler): Atriz húngara que se fez na Itália. Atuou em filmes bem hardcore (com fetiche e zoofilia). Largou o pornô, foi eleita deputada na Itália, casou, teve um filho e hoje tenta ser deputada em sua terra natal.
Classe B: Filmes de classe B é como são chamados o filmes de baixo orçamento (baixo comparado aos filmes mainstream). Curiosamente, se o orçamento é ínfimo não os chamam classe C, salta-se diretamente para o Z.
Classe Z: Produções cascudas e baratinhas. A maior parte das produtoras
se encontra na Alemanha: Umdercover, Canai, Power Video...
Cocksucker: Felatriz.
Coprofilia: Excitação ao pegar os excrementos da parceira (urina, fezes). Vai desde se lambuzar até ingerir.
Creampie: Geralmente as cenas de sexo terminam com um belo cumshot. Mas no creampie o esperma é depositado dentro das atrizes.
Cum shot: Ejaculação.
Cumnilingus: Sexo oral sobre a principal zona erógena da mulher. Também conhecido como mouse diving ou muff diving.
Dildos: Brinquedinhos sexuais como vibradores. Existem filmes em que não há relação sexual normal, só com dildos. Mais utilizados nas cenas com lésbicas.
Dominação: Brincadeira em que um dos participantes é humilhado (só o masculino) sem usar a as mãos – de forma passiva – por um ou vários indivíduos.
Double penetration: Modalidade hardcore em que a atriz é duplamente penetrada. Três possíveis combinações: anal e vaginal (prática hard muito comum), dupla vaginal (menos praticada: tradicional desde os didáticos pornôs setentistas – ver Apple Pie, por exemplo; também o praticou nossa admirada Traci Lords, em Graffenberg Spot) ou dupla anal (bastante raro, inclusive dentro do hard; ver Tami Ann (Tamme Ann) em Depraved Fantasies: assustador).
DPP: Sigla de double pussy penetration, dupla penetração vaginal.
Enema: Lavagem. Atualmente limitada a produções Z, porém muito utilizada nos filmes do principio do século. Há quem o use como alternativa anal à chuva dourada.
Facial: Sabe como se confeita um bolo? O facial é mais ou menos assim... no lugar do bolo entra a atriz e no lugar da bisnaguinha do confeiteiro, bem, você sabe o que entra...
Felação: Sexo oral sobre a principal zona erógena masculina.
Felatriz: Atriz especializada na sempre admirável, difícil e nutritiva arte do sexo oral.
Fetichismo: Excitação mediante a observação ou possessão de objetos inertes pertencentes à pessoa ou ao gênero desejado. O caso clássico consiste em um indivíduo que coleciona lingerie de sua amada – o que, afinal de contas, é muito mais interessante que colecionar selos.
Fist fucking: Penetração com o punho. Geralmente dolorosa.
Fluffers: Senhoritas encarregadas de que os atores não vejam ameaçadas sua excitação entre as tomadas. Ver felatriz.
Freaks: Galeria de intérpretes com deficiências físicas agudas, incluindo anões, obesas, siamesas, mutilados (menção especial para Sean Silver; aliás "O Capitão Gancho", veterano do Vietnam a quem falta uma perna, uma das mãos e um olho).
Gang-bang: Atividade em que uma só mocinha enfrenta quatro ou mais marmanjos. O critério do número de marmanjões é definido pelo número de orifícios disponíveis. Curiosamente, em um gang-bang clássico a mocinha enfrentará no mano-a-mano oito ou mais homens. E há quem tenha encarado todos e saído mais melada e feliz. O caso mais extremo é o de Jasmyne Saint Clair, que encarou 300 homens.
Gulp-girl: Felatriz.
Hardcore: Oposto da softcore.
Hentai: Em japonês quer dizer depravado. São aqueles desenhos animados com cenas de sexo hardcore ou softcore (em alguns o órgão sexual masculino é "mascarado" por algum efeito). Alguns deles mostram menininhas inocentes enfrentando monstros pavorosos, é o chamado tentacle sex.
Holmes, John: 33cm, 2.200 filmes, 14.000 mulheres. Falecido em 1988 em decorrência da AIDS.
Inter-racial: Visto que cada um se excita com alguma coisa, este subgênero inclui cenas em que os participantes pertencem a raças e etnias diferentes.
Jeremy, Ron: Feio pra burro, mas atuou em dezenas de filmes, um verdadeiro operário-padrão.
Kink: Adjetivo para toda a parafernália de sado-dominação: esporas, látegos, correias, chicotes...
Lesbo: Lésbicas. Filmes ou cenas onde só as meninas se divertem.
Lords, Traci: (FOTO) Às vezes também aparece como Christy Lee Nussman. Nome real: Nora Louise Kuzma. Mulher decidida, estreou no mundo do pornô aos 15 anos, enganando diretor e fotógrafo. Largou a sacanagem e virou atriz "séria", produtora e cantora de techno.
Lovelace, Linda: Atriz do primeiro megasucesso pornô: Garganta profunda. Deixou a sacanagem de lado e se tornou uma ativista contra a indústria da pornografia. Faleceu no dia 22 de abril de 2002.
Mainstream: Como já definimos, de grande distribuição. Os filmes mainstream excluem qualquer fita que contenha cenas com anões, sexo bizarro, sadô-masô, fist-fucking etc, e compõem praticamente a totalidade das produções made in USA. Para as coisas bizarras contamos com os europeus.
Mature ladies: Vovozinhas que não suportam ficar trancadas em casa fazendo tricô.
Milk maids: Atrizes com a fascinante habilidade de, mediante precisas fricções, extrair leite de sus peitões.
Necrofilia: O prazer mediante práticas sexuais com cadáveres. Há quem insista em dizer que é mau, doentio e coisa e tal, porém até agora nenhum dos participantes se queixou.
Orgias: Amor em grupo. Prática constante nos granulosos pornôs setentistas, hoje em desuso devido ao alto cachê das atrizes, não pela falta de interesse dos aficionados.
Outdoor: Em um gênero como o pornô, em que a maioria das cenas se passa em interiores (há quem já tenha visto filmes em que não só se nota que é um motel disfarçado de casa, como ainda utilizam plásticos para não manchar o colchão: mais cuidadoso que um comercial de AIDS), é quase compreensível que as cenas rodadas em exteriores sejam consideradas um subgênero.
Panties: Literalmente, calcinhas. É, tem gente que se amarra em roupa de baixo feminina.
Pedofilia: Desvio doentio que consiste em relações sexuais com crianças. Só para loucos degenerados.
Peep show: Curiosas cabines em que, ao se inserir uma moeda numa ranhura, uma persiana se abre para mostrar uma cena em ao vivo, seja individual ou a dois (ou mais), detrás de uma janela. Há que ser ágil na hora de se introduzir as moedas, pois o espetáculo de subida e descida da persiana pode desconcentrar a (os) profissionais.
Pets: Literalmente, mascotes. Ver zoofilia.
Plump: Mulheres bem gordinhas que fazem de tudo com atores mais magrinhos.
Preggo: Corruptela da palavra inglesa pregnant. São as atrizes que atuam em filmes pornô ostentando enormes barrigas de grávidas. É, tem gente que acha legal isso.
Púbis raspado: Prática comum hoje em dia. Tem gente que se excita com aquele capô de fusca pelado.
Sadô-masô: Mistura de prazer e de dor a gosto do freguês. Algumas recomendações do chefe: mordaças, penetrações com objetos pungentes, cortes em lugares exatos, estiramento de zonas delicadas, lavagens ardentes, açoites...
Sáfico: Lésbico. Línguas, dedos e acessórios complementam a brincadeira.
Sandwich: Dupla penetração. A verdade é que esse nome não é muito criativo.
Sexploitation: Se uma exploitation é um filme de baixo orçamento que plagia a temática de um grande sucesso esperando aproveitar o filão (Orça: a baleia assassina é uma exploitation do Tubarão de Spielberg), uma sexploitation consiste em fazer uma exploração erótica – softcore – ou pornográfica – hardcore – (Eduardo Mãos de Pênis, Flesh Gordon, Pulp Friction).
Sex-shop: Loja tradicionalmente especializada na venda de todo tipo de artigos dedicados ao sexo. Algumas têm atrações como cabines com filmes X e, nas sofisticadas, peep shows.
She-male: Parece uma mocinha, porém – oh, surpresa – não é. Traveco.
Snuff: Filmes em que depois de abusos sexuais se procede ao assassinato real das vítimas/atores forçados. O mais baixo que pode cair o gênero humano.
Softcore: Pornô suave, filme erótico, filme não X-rated (qualquer "coito" da novela das 8, por exemplo). No outro extremo, os filmes pornográficos reais são chamados hardcore.
Spanking: Literalmente: espancamento. Obter excitação ao dar a uma senhorita bunduda o que ela merece. Menina má, má, má! SPLAFT!
Spumk: Ejaculação violenta e abundante. Os homens adoram, as mulheres em geral odeiam.
Stagliano, John: Também conhecido como Buttman. Ator, diretor, produtor e adepto do estilo gonzo.
Swalowing: Blow-job que termina como manda o figurino: não sobra uma gota nem se cospe no prato em que comeu.
Tailandês: Segundo o contexto. Às vezes coito dentro de uma banheira. Às vezes massagem dada com todo o corpo (principalmente os seios). Tem que se tomar um certo cuidado com os pés e evitar hematomas.
Teenagers: Desvio que consiste em utilizar adolescentes como protagonistas. Está previsto como crime no código penal. (Nota importante: os filmes que Traci Lords fez sendo adolescente nunca foram vendidos como filmes de teenagers, já que ela sempre se passou – tanto para espectadores como os atores e produtores – por maior de idade. A diferença em relação à exploração é essencial). Há produtoras, como a Seventeen, especializadas nesse tipo de filmes – se bem que suas protagonistas faz tempo que passaram dos seventeen.
Tits fucking: A popular "espanhola". Consiste em satisfazer-se mediante a precisa utilização do canal que separa os seios. Requer seios avantajados e um ótimo senso de equilíbrio.
Tranny: Transsexual. Ver she-male.
X: Qualquer filme que apresente um membro viril em ereção ou uma penetração explícita é considerado um filme X.
X-rated: Classificado como X.
Zoofilia: O prazer por meio de práticas sexuais com animais. Também há quem o chame de bestialismo. A zoofilia transformou em atores pornô cachorros, cavalos, burros, periquitos, éguas etc. Inclusive já se viu serpentes que, por uma ridícula razão de segurança, levavam uma camisinha na cabeça antes de serem introduzidas pelos lugares mais diversos. Deve ser humilhante até mesmo para um réptil.
ILUSTRAÇÕES: Ary Monteiro
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